quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Diário e reflexões - 301117 (Alguns números de um mês de lutas)





Refeição Cultural

Novembro - Números da agenda de lutas de um cidadão brasileiro, bancário, gestor eleito de saúde, pai de família, blogueiro, militante social por um mundo mais justo e solidário, sem exploração de alguns humanos sobre todos os outros bilhões de humanos.


Hoje termina o mês de novembro de 2017. Hoje completo 3 anos e meio de mandato como Diretor de Saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, eleito pelos trabalhadores associados. 

Tenho revisado minhas postagens nos blogs e com isso vejo nosso percurso de trabalho desde 2014 - foi o mais intenso de minha vida! Basta olhar os números deste mês e dá para se ter uma ideia do quanto nossa missão foi intensa e focada em nossas tarefas. Mas não podia ser de outro jeito.

Neste mês, meus compromissos de trabalho e representação como gestor da área de saúde da Cassi me levaram a algumas bases sociais. 

Fui a Londrina (PR) e tive reuniões com os funcionários, com os participantes associados e com as lideranças do Sindicato. Fui ao Rio de Janeiro e conversamos com os funcionários da Cassi e os participantes de nossa autogestão. Em São Paulo capital idem, estivemos com centenas de associados da Cassi e almocei com a equipe de gestores da Unidade.

Voltei ao Paraná, desta vez em Curitiba, para dois dias de agenda de gestão e Conferência de Saúde, assim como as Conferências de SP e RJ.

Fui a São Paulo mais duas vezes, para eventos que debateram a nossa Cassi. Na capital, estive na Fetec SP reunido com representantes de sindicados do Estado (a convite das entidades). Fui a Ribeirão Preto para conversar com associados e participantes da Cassi, a convite das entidades de aposentados e associações.

Ontem, me reuni com os conselheiros de usuários da Cassi DF. 

Ou seja, neste mês, tive o privilégio de prestar contas, tirar dúvidas, ouvir lideranças e associados de capitais e interiores de várias Unidades da Federação - SP, RJ, PR, DF.

Teve semana em que dormi menos de 20 horas, entre segunda e sexta. 

Na parte de prestação de contas, informação, formação e comunicação, fizemos 10 matérias no Blog Categoria Bancária (acessar AQUI), o boletim do mês Prestando Contas Cassi (ler AQUI) e estou fechando novembro com 6 textos neste Blog.

Além dessa forma de fazer o mandato de representação, com presença na base social e prestando contas o tempo todo, tenho uma agenda pesada na rotina da governança.

Em novembro, tivemos 4 reuniões de Diretoria Executiva, onde estudamos e apreciamos 101 documentos técnicos com centenas de páginas e anexos. Tivemos oficina de trabalho da direção da Cassi com a consultoria contratada após o Acordo entre BB e entidades representativas do funcionalismo. E estamos com encontros de capacitação de gestores das unidades Cassi dos Estados e DF.

Eu juro pra vocês que essa agenda de novembro representa exatamente o que eu fiz ao longo desses 3 anos e meio. É só ler nas postagens dos dois blogs que mantenho.


E o cidadão?

Bom, como eu havia refletido no início do segundo semestre, não foi possível ler literatura e livros neste período, como havia feito no semestre anterior. Só alguns capítulos de alguns livros. O tempo livre que tinha em finais de semana estou usando para trabalhar nos blogs e reforçar a nossa memória das lutas vividas.

O saldo do afago familiar possível foi ter visto em novembro meus pais e familiares de Uberlândia em um fim de semana. Também só vi meu filho em um fim de semana. Vi minha esposa menos da metade do mês.

Para compensar e manter algo junto com meu filho querido, que estuda em outro Estado (SP), estamos assistindo juntos um anime (Naruto) em algumas noites e dias da semana. Enquanto eu e esposa conhecemos a saga do garoto ninja, meu filho mata saudades da infância. Chegamos a assistir um episódio eu num hotel (PR), ele na cidade que estuda e minha esposa em Brasília. Mas dessa forma (distantes) já vimos 31 episódios. Não basta ser pai, tem que participar...

Por fim, neste mês de novembro completaram 3 anos que voltei a correr com regularidade. Lá em novembro de 2014 vi que se não voltasse para as corridas, eu teria sérias consequências em minha saúde e na minha vida estressada e de lutas (ler postagem AQUI).

Ao correr hoje, completei 50k em 10 corridas no mês. Sei que isso é fundamental para salvar a minha vida e ter energia para suportar tudo que enfrento em um mês de lutas. Me virei pra correr:

6k no Eixão (dia 2), 4k DF (dia 4), 7k no Eixão (5), 7,5k na AABB SP (12), 2k no Pq. Continental SP (13), 2k e pedal no Eixão (15), 4k DF (17), 6k no Eixão (19), 8k no Pq. do Sabiá MG (26) e 4k DF (30).


O mundo está desabando para a classe trabalhadora à qual pertenço e represento após o Golpe de Estado em nosso querido Brasil. Mas desistir não é uma opção, por mais triste que estejamos ao longo de nossa jornada e existência.

Estou firme nas lutas!

William

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Artigo - Desastre anunciado, por Mino Carta


Apresentação do Blog:

Olá prezad@s leitores amigos.

Sou um admirador do jornalista Mino Carta, um dos grandes intelectuais da atualidade. Tenho a mesma leitura que ele em relação ao cenário colocado para nós quando se pensa perspectivas de futuro a partir do momento atual, da tragédia vivida por nós com mais este golpe de Estado no Brasil.

A pergunta que martela em meus miolos é a de sempre: por que o povo não reage, já que são suas vidas mesmas que são atingidas até a morte com as consequências dos abusos da casa-grande, o 1% que fode os 99%, por quê?

Boa leitura, William

Diante desta imagem, o leitor tire suas conclusões.
Foto: Ricardo Stuckert.

O Brasil ficou como a casa-grande o quer e nós, inertes, assistiremos ao golpe dentro do golpe

Com as quadrilhas no poder é impossível negociar, e peço perdão pela obviedade. Outra é a seguinte: não há saída afora um protesto popular maciço e destemido, como, em situações similares, se deu em outros países. Dói-me pronunciar a terceira obviedade: não há como esperar pela revolta do povo espezinhado no país da casa-grande e da senzala.

Creio firmemente que, de volta à Presidência, Lula saberia recolocar o País na rota certa. Está muito além de claro, contudo, que o objetivo principal do golpe de 2016 é alijar o ex-presidente da próxima etapa eleitoral.

A considerar o livre trânsito dos golpistas de exceção em exceção, não consigo imaginar que o tribunal de segunda instância de Porto Alegre deixe de confirmar a condenação da Corte do Santo Ofício de Curitiba.

De todo modo, das duas uma: ou as quadrilhas, nas quais incluo a mídia nativa e seus barões, encontram uma solução “legal” pelo retoque fatal da Constituição, de sorte a permitir a eleição que lhes convém, ou não haverá o pleito de 2018. Em um caso ou no outro, será golpe dentro do golpe. Temo ter deitado no papel a quarta obviedade.

Confesso excluir a possibilidade de que, mesmo neste momento, o povo lesado se disponha a reagir. Às vezes, ocorre-me pensar que o próprio Lula duvida, a despeito da sua extraordinária capacidade de dirigir-se aos desvalidos, à maioria humilhada e ofendida.

Ele sabe, tenho certeza, que uma coisa é convocar a massa para o voto, ou para uma festa sem riscos (e a massa é muito festeira), e outra é chamá-la ao confronto. Três séculos e meio de escravidão pesam na balança, mesmo porque a casa-grande e a senzala continuam de pé.

Os donos da mansão senhorial mudaram com o tempo, dos latifundiários à corporação financeira, a passar sempre pelo estamento burocrático, mas foram constantes e eficazes ao se manterem no poder, graças também à chibata que o povo teme até hoje. Faltou a reação capaz de ameaçá-los e manchar de sangue as calçadas. Ao sinal do mais tênue risco, deu-se o golpe de Estado, pontual e inexorável.

A nossa trajetória histórica explica. Não houve uma guerra de independência salutar, por mais sangrenta, na formação de muitas nações mundo afora. A nossa resultou de uma briga interna na Corte portuguesa e o povo não percebeu ter deixado de habitar uma colônia.

Nossos heróis não se confundem com os pais fundadores dos Estados Unidos, ou com nobres e desassombradas figuras latino-americanas, como San Martín, Bolívar, O’Higgins. Nas nossas praças galopa em bronze o Duque de Caxias, comandante do genocídio paraguaio no século XIX.

Os golpes por aqui acontecem sem conflito. A Argentina condenou torturadores e seus mandantes, nós perdoamos, a ponto de termos viadutos e galerias com o nome de alguns deles, sem contar a patética Comissão da Verdade que, com o beneplácito do STF, aceitou como legítima uma lei da anistia imposta pela ditadura.

Como se vê, somos bastante peculiares, entregues a um desequilíbrio social que nos coloca entre os países mais atrasados do mundo e nos incapacita à prática da democracia para realizar às vezes aquela sem povo, objetivo da casa-grande.

A situação atual, após um golpe perpetrado em admirável sintonia pelos próprios poderes da República, pela mídia e setores da Polícia Federal, exibe o resultado inevitável da história do País. De certa maneira, temos o que merecemos ao viver resignados nesta nossa singular Idade Média.

Se é impossível negociar com as quadrilhas, a vontade da casa-grande será feita e o Brasil terá a face que lhe compete ao sabor de um desastre anunciado. Inertes, em clangoroso silêncio, seremos espectadores do golpe dentro do golpe.

Receio ter pronunciado a sexta obviedade, ululante, como diria Nelson Rodrigues, aquele que me punha a gargalhar ao ler a Última Hora no bonde vazio, de volta para casa depois da aula noturna da Faculdade de Direito, para surpresa do cobrador e do motorneiro.



Fonte: Mino Carta, de CartaCapital.

domingo, 19 de novembro de 2017

Casa-grande & senzala - Será que um dia o povo brasileiro vai superar esse vício de origem?


Podemos não gostar do que Freyre descreve e opina, mas
é só olhar ao nosso redor e vemos todo o lixo autoritário
dominante dos membros da casa-grande prevalecendo...

Refeição Cultural

Estava agora pela manhã de domingo lendo o segundo capítulo do ensaio de 1933 de Gilberto Freyre, Casa-grande & senzala. O capítulo "O indígena na formação da família brasileira" traz muitos aspectos interessantes e curiosidades culturais, se considerarmos que somos bichos urbanos do século 21 num mundo sem conexão com o passado, com o passado coletivo e comum do povo brasileiro.

Esses ensaios e estudos de grandes pensadores brasileiros como Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, Antonio Candido, Celso Furtado, Sérgio Buarque de Holanda, dentre outros, pensando os intelectuais da primeira para a segunda metade do século 20, são para serem lidos lentamente, refletindo, observando ao redor para ver o nosso mundo e comparar se tem sentido ou não o que eles nos apontam como origens, males e benefícios do povo brasileiro.

Eu não tive a oportunidade de ler e estudar como gostaria na adolescência e vida adulta por causa de minha própria origem, no mundo miserável da classe trabalhadora brasileira. Nós povo sem posses e meios de produção trabalhamos desde pequenos por alguns tostões e assim seguimos quase até a morte na idade adulta e madura. 

Tivemos alguma esperança no início do século 21 com governos progressistas no Brasil e América do Sul e com olhares mais voltados ao povo excluído das riquezas do país. Vieram os golpes da casa-grande.

Neste momento de nossas vidas sul-americanas, após as quedas de governos progressistas e mais inclusivos como, por exemplo, os do Partido dos Trabalhadores, nos vemos numa hecatombe de retrocessos seculares nos direitos gerais do povo brasileiro em benefício de uma pequena casta da elite (a casa-grande de sempre).

Será que um dia vamos superar esse domínio dos senhores da casa-grande? O domínio da casa-grande envolve todos, todos, os espaços da sociedade constituída desde a origem, basta ver o exemplo do caso brasileiro, uma terra invadida para ser colônia de exploração em função do império invasor.

Mudaram os impérios que dominam nossa terra de exploração; mudaram os séculos e as formas de exploração dos povos; não mudaram as relações de domínio da casa-grande sobre a massa do povo brasileiro. Nossa pequena elite segue sendo lesa-pátria, canalha e vil. Não mudaram a injustiça e a iniquidade da casa-grande e seus lacaios e capitães do mato em relação ao povo, a nós excluídos daquele 1% detentor de tudo.

Esses lacaios e capitães do mato dos membros da casa-grande estão hoje com roupagem nova: nos executivos e legislativos, nos espaços do judiciário, nos espaços de reprodução da ideologia da casa-grande - os meios de comunicação de massa. E pouca gente tem consciência de classe para enfrentar isso de forma coesa e coletiva.

E eu que tenho plena consciência de classe trabalhadora, que sei de que lado estou, nem posso chorar, me lamentar, sequer desistir ou morrer, porque sei que desistir não é uma opção. Só a luta coletiva e unitária do meu povo é que garante um fio de esperança contra toda essa merda que voltou a dominar o nosso querido país.

É isso!

William


Post Scriptum:

Organizar meus "cadernos" de memórias, tanto do
Categoria Bancária quanto do Refeitório Cultural,
 tem me dado trabalho, mas tem valido a pena
porque me faz refletir sobre meu papel,
os acertos e erros que temos feito.

Desde muito jovem tenho o hábito de escrever minhas opiniões e após o advento da internet criei blogs para partilhar conhecimento e opiniões. Ao reler diários, memórias, reflexões, e revisar meus registros nos blogs que mantenho, vejo lá vários sinais e impressões do que poderia ocorrer no Brasil tempos depois. Vejo também o quanto foi importante registrar meu olhar sobre os acontecimentos porque somos humanos e nosso passado histórico é fundamental para pensar o futuro da humanidade.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Saudades




Saudades de meu filho.
Saudades de meus pais.
Saudades de minha avó.
Saudades de minha tia.
Saudades de uma família.

Saudades do sindicalismo que vivi.
Saudades do país que ajudei a construir.
Saudades dos tempos de convívio estudantil.

Estou com saudades.

Não tenho saudades de minhas ignorâncias.
Não tenho saudades de minha alienação.
Não tenho saudades das ilusões.

Saudades é um sentimento.
Então vamos sentir.
E resistir.

A luta segue!

William

domingo, 12 de novembro de 2017

Para onde caminha a humanidade?



(texto atualizado às 9h de 13/11/17)


Alvorecer de mais um dia. Não necessariamente novo...

Refeição Cultural

Às vezes perco até o ânimo para registrar minhas reflexões e opiniões a respeito da sociedade humana.

Me lembro então de pessoas como Edward Said (ler AQUI), Victor Klemperer (ver AQUI), Gramsci (ler AQUI) e tantas outras que em seus tempos de vida tinham a clara consciência de que era necessário escrever, questionar, denunciar e se posicionar em relação ao que ocorria no mundo.

Para onde estamos caminhando? Talvez para a catástrofe final da existência humana.

Ao longo dos últimos milhares de anos, produzimos guerras avassaladoras de humanos contra humanos. Guerras de humanos contra outras formas de vida que coabitavam o mesmo espaço a ser conquistado pelo grupo humano que chegava. A diferença ao longo dos séculos foi a capacidade tecnológica cada vez maior para a matança e extermínio do outro.

Chegamos nesta quadra da história a uma condição humana que me desespera: eu não vejo neste momento muita perspectiva de resgatar o humano das máquinas que passaram a dominar esse mesmo ser humano. A mente humana, a psique humana, a consciência humana, os valores humanos, desenvolvidos em milhares de anos, estão sendo subutilizados a um limite perigoso.

Quantas pessoas no mundo passam boa parte de seus dias em função de zilhões de produções de imagens e vídeos em retransmissões em suas bolhas - as redes sociais em que estão - observando cenas de animais domésticos, fotos e textos com assuntos irrelevantes perto dos grandes problemas do mundo humano?

Quantas pessoas estão dedicando parte de seus dias em função da busca de soluções para os grandes problemas coletivos da sociedade humana? Um número ínfimo de pessoas.

Não sei se a sociedade humana já esteve mais ameaçada do que nesses tempos que vivemos. Mesmo comparando os riscos de extermínio humano como vimos nas matanças das grandes guerras mundiais, levadas adiante por questões econômicas e políticas de uns poucos homens de poder e suas corporações ao conseguirem levar multidões ao ódio e extermínio do outro.

Vivemos no Brasil e em outros países do mundo o clima construído por líderes políticos e elites poderosas que levaram e estão levando seus povos à guerra, à morte e às destruições sociais.

Os golpistas e seus veículos de comunicação sabem do amortecimento no qual colocaram as massas humanas brasileiras, entretidas em seus aparelhos celulares dentro de suas bolhas vendo os milhões de vídeos compartilhados de gatinhos cachorros tombos gozações xingos bundas e peitos e cantos e mensagens e correntes e fotos e violências que levam ao medo etc.

Neste momento e no amanhã todos os milhões de seres humanos estarão fazendo o mesmo diuturnamente e cotidianamente.

Enquanto isso, a reação das massas vitimas de todas as reformas e sacanagens feitas pelos golpistas segue pífia. Reação esforçada, mas sem capacidade de reversão do quadro avassalador. 


Que tempos são esses? A moda é a injustiça, a iniquidade, a intolerância, a ignorância. O não é comigo

Não choca nem causa espanto, não coloca milhões de pessoas nas ruas, o fim dos direitos do trabalho, a imprensa golpista pedir a morte do maior líder popular que o país já teve (revista Istoé, nesta semana, e revista Veja, em 2016, em relação ao Presidente Lula). 

A imparcialidade da justiça não incomoda e até gera juízes popstar. Nada leva milhões à rua. A não ser que um grande manipulador de massas como a golpista Rede Globo, dos Marinho, esteja nas convocações.

Mas lembrem-se que o que os donos do poder estão fazendo no Brasil e com o Brasil e os brasileiros estão fazendo com todos nós e com o futuro de nossos filhos. Após doação da Floresta Amazônica, do petróleo brasileiro, do solo brasileiro, o Brasil não voltará a ser o mesmo.

Amanhã é mais um dia... quantos estaremos resistindo à destruição de nosso mundo? Eu só vejo sentido na minha existência social se ela não for pensada só para mim. 

Vou acordar e seguir fazendo a luta por um mundo melhor e contra esse mundo que me impuseram. Desistir não é uma opção.

William


Post Scriptum:

Acordei às 6h da manhã neste domingo e saí para uns instantes não-virtuais. Fui participar de uma corrida na AABB SP e tive a oportunidade de ver e conversar com amigos e conhecidos a respeito de várias coisas. Foi bom.
11º Circuito de Corrida e Caminhada da AABB SP.
Mais uma vez, a entidade está de parabéns pelo evento.
A corrida de 7,5k e a caminhada de 5k foram prazerosas.
A equipe da Central Cassi esteve presente no evento da AABB SP.
Foi muito legal! Agradeço o convite para saborear o excelente
churrasco feito pelo pessoal ao final da corrida.
 

Post Scriptum 2:

Recebi posteriormente a foto com o pessoal da AABB SP. A gestão da entidade tem feito muitos progressos na associação em prol da comunidade que utiliza as dependências do clube.

Pessoal da AABB SP.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Memórias e histórias de lutas sociais (I)



Estou revisando as 241 postagens do ano de 2014 em meus
dois blogs. Os textos contêm muitas histórias de lutas e também
muitos momentos simples de um cidadão bancário e militante.

Refeição Cultural

Está acabando o feriado de Finados. Estamos no mês de novembro e caminhamos para terminar um ano terrível para o povo e a classe trabalhadora brasileira. O Brasil está sendo desfeito rapidamente após o Golpe de Estado executado no início de 2016. Me desespero ao ver que não há reação à vista por parte da população vítima das consequências dos retrocessos que vêm sendo implantados pelos golpistas instalados em setores dos três poderes.

No Dia de Finados, até comecei a leitura de um livro - As intermitências da morte, de José Saramago. Mas após ler cerca de 60 páginas, acabei guardando a obra para outra oportunidade. Não posso ler e não consegui tranquilidade para a leitura.

Após trabalhar bastante na sexta-feira na Cassi, soube da notícia naquele dia do decreto do Governo que põe à venda ativos e empresas públicas de economia mista. 

Eu sou trabalhador do Banco do Brasil há 25 anos e já quase morro de dor ao ver o que os golpistas estão fazendo com a nossa Petrobras e o Pré-sal e agora vem numa canetada o desmanche de empresas públicas fundamentais para o país. Já estão ameaçando a nossa Caixa Econômica Federal, um patrimônio do povo. Não podemos permitir isso, nosso banco público tem mais de dois séculos de existência.

Como vocês sabem, sou um representante eleito por trabalhadores em entidades associativas e de lutas, constituídas pelos próprios trabalhadores. Após ser dirigente sindical por 14 anos - no Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e região e na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT, hoje estou como gestor de saúde na maior autogestão do país, a Cassi.

Ao longo de quase vinte anos de organização das lutas dos trabalhadores da categoria bancária, onde sempre atuei fortemente nas bases e depois em espaços de coordenação, passei a ter um olhar especial sobre a história, sobre comunicação e sobre a formação política dos trabalhadores. Essas 3 áreas são fundamentais para qualquer tipo de resistência à exploração dos capitalistas e donos do mundo.

Entre 2006 e 2007, já dirigente sindical nas coordenações nacionais das lutas dos bancários, criei dois blogs para experimentar as ferramentas do mundo das comunicações e da internet, que passava a se popularizar no mundo, junto com as redes sociais. Não foi uma criação inocente. 

Meu objetivo era utilizar as ferramentas para informar, compartilhar conhecimento, opinar, disputar versões com a grande imprensa dos capitalistas e prestar contas de minha atuação como eleito.

Enfim, nós do campo popular chegamos a achar que poderíamos enfrentar os grandes meios de comunicação dos donos do mundo, dos donos do poder em cada espaço geográfico chamado de país etc. Não podemos. Eles detêm o poder de pautar, influenciar, de manipular, de esconder o que querem do povo e dos trabalhadores. 

É muito desigual o poder que têm poucas famílias e poucas corporações capitalistas donas de TVs, rádios, jornais, revistas, sites - em propriedade cruzada - ao criarem pautas e divulgá-las impondo sua ideologia de classe dominante se compararmos à capacidade de comunicação das lideranças e entidades do campo popular, onde está a classe subjugada por esse 1% dono de tudo.

MEMORIAL DE LUTAS A PARTIR DE MINHAS EXPERIÊNCAS

Mesmo sabendo que não temos poder para enfrentar os grandes meios de comunicação e todo o embate que vem sendo feito no mundo contra os trabalhadores e suas entidades de classe, e a rápida tentativa de apagar nossas histórias de lutas, eu me sinto na obrigação de escrever, registrar, compartilhar minhas experiências e opiniões nesta jornada que venho empreendendo como mais um trabalhador nas lutas da classe trabalhadora brasileira.

Tenho dedicado quase que todas as minhas horas de folga, ou seja, finais de semana e algumas madrugadas, em reler os textos, atualizar imagens e diagramação, categorizar com marcadores temáticos (tags), todas as postagens que fiz como um cidadão bancário eleito por trabalhadores para atuar na organização e defesa de nossos interesses de classe. O cidadão que escreve no Blog Refeitório Cultural não se desassocia do cidadão que escreve no Blog Categoria Bancária. Os temas são diferentes, mas se completam.

Terminei a releitura dos 70 textos que fiz durante 2014 no Refeitório Cultural. Eu já havia feito a releitura das 88 postagens do Categoria Bancária desde o momento em que comecei o mandato na Cassi, de junho adiante. Agora estou terminando as 83 matérias que fiz entre janeiro e maio, período da campanha eleitoral da Cassi e enquanto eu era coordenador das negociações nacionais do BB. 

Amig@S, os 241 textos contidos nos dois blogs são história pura, não só minha, mas dos bancários do Banco do Brasil e das lutas da categoria e suas entidades de classe. A pauta dos trabalhadores daquele Brasil antes do golpe era uma - mais conquistas e avanços -, e agora vejo com tristeza o quanto mudou a pauta - resistir à destruição total dos direitos e das nossas entidades de classe. É triste! Mas a experiência mostra que É POSSÍVEL DAR A VOLTA POR CIMA!

Eu pretendo disponibilizar minhas memórias de forma organizada para lideranças e sindicatos que tenham interesse. Depois que terminar 2014, farei o mesmo com 2015, 2016 e 2017. 

Esta organização das memórias e registros está me dando muito trabalho, mas eu quero deixar minha contribuição para aqueles que gostam de história, que gostam de cultura, que se interessem por seguir organizando a resistência contra o que estão fazendo conosco, a classe trabalhadora.

É isso! Abraços a tod@s!

William